Posicionamento Oficial

Para a Associação para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), a forma da ANVISA restringir o uso da sibutramina foi equivocada. A classificação em medicação tipo B2 a coloca no mesmo patamar dos medicamentos psicotrópicos, que podem induzir à dependência química. A sibutramina está no mercado há 10 anos, e não há estudos que mostrem que o seu uso possa induzir a este tipo de efeito. 

A discussão do uso, ou não, da medicação teve como ponto de partida os eventos cardiovasculares que ocorreram, em maior número, no grupo de indivíduos com mais de 55 anos, com doença arterial aterosclerótica já estabelecida, que usou sibutramina por tempo prolongado, e não foi baseada em eventos neuropsiquiátricos. Este tipo de atitude demonstra o desconhecimento sobre o mecanismo de ação dos diversos fármacos e só reforça o pré-conceito de que todos os medicamentos para o tratamento da obesidade são drogas psicotrópicas, que “viciam”.

Mudanças na indicação e advertências podem e devem ser acrescentadas na bula da medicação e também esclarecidas para a comunidade médica e para população em geral.

O uso indiscriminado de qualquer remédio deve ser coibido, mas, no caso em questão, o controle já estava sendo feito com a compra mediante receita médica, com cópia retida na farmácia. Isto foi comprovado por dados divulgados hoje, 30/03/2010, pela própria ANVISA, a respeito da quantidade de sibutramina comercializada no Brasil. Estes valores também devem ser analisados com cuidado. É obvio que vieses de prescrição existem, mas convém ressaltar que o consumo de sibutramina vem aumentando não só por este motivo, mas principalmente porque se tornou, com o vencimento da patente, o medicamento antiobesidade de primeira linha mais acessível à população de baixa renda. A obesidade, hoje, no Brasil, é um problema crônico de Saúde Pública, com graves complicações e de difícil tratamento. Estas mudanças vão atingir diretamente o paciente que necessita do uso da medicação, e não a indicação indevida ou a prescrição desnecessária.

A Associação para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica em nenhum momento foi convidada para discutir o assunto junto aos órgãos de Vigilância. E nós, médicos, na sua grande maioria, somos os mais preocupados em que o tratamento para o obeso seja seguro e ético.

Dra. Rosana Bento Radominski
Presidente da Associação para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica
(ABESO)

Drª Lídia Rosa CRM5270304-4